Compartilha.dor

O projeto Compartilha.dor teve início em março de 2020, com a premissa de trocar e compartilhar textos poéticos de estudantes, incentivando, simultaneamente, a leitura e a escrita. Com o foco constante no Enem e vestibulares, sentimos falta de espaços para desenvolvimento artístico. Além de melhorar a linguagem e vocabulário, a escrita serve de refúgio para uma rotina cansativa e para manter-se saudável mentalmente. Para enviar um texto, entre em bit.ly/compartilhador (o formulário é anônimo!). Boa leitura!

Sobre os amores de viés

Ela só queria um amor para chamar de seu.
E, simplesmente, se esqueceu,
De quem um dia te deu um amor
De que fosse somente teu.
Das mágoas e tristezas, o amor repreendeu.
Daquilo que ela chamava de abstrato,
Um carinha que se achava o tal, fez dela,
Um verdadeiro estrago.
Dos seus amigos fazem deles “amores”,
Que, sim, será para o resto da vida seja ela, literalmente, amorosa,
Ou não,
Ela não sabe e nem quer saber do agora,
Que já passou.
Que venha o amanhã
E que venha novos amores!
Afinal de contas, é nos amores que achamos
Onde, realmente, nos encontramos.

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JK

Eu tenho emprego tô trabalhando, com sorriso no rosto e sapato desgastado
Não consigo nem comprar um prato de feijão
Eu vejo asfalto
Eu vejo rodovia
Eu vejo carros e até caminhão, com nome estranho
Eu ouço modernização
vejos pessoas passeando, mas nem faz parte do povão
Eu vejo à fome da população e a pobreza que atinge minha família
Eu trabalho sorrindo, mas a barriga grita
Servindo no restaurante um monte de comida
carregando pratos "dos importantes"
jogando o resto e lavando os pratos
termina o expediente
e minha fome é estridente

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Pensei que tudo estava bem...

Pensei que tudo estava bem
Que EU estava bem
Mas na verdade, o abismo se abriu
Aguentei oito meses
Sem amigos
Sem caminhadas
Sem cafés
Até que tudo desmorona
Bem na minha frente
A ansiedade veio de vez
Nem bateu na porta, ou pediu passagem
Ela invadiu, permaneceu
Faz 4 dias que choro sem motivo algum
Só cansaço
Cansaço da casa e do centro barulhento
Cansaço dos mesmos programas
Das notícias ruins
Das aulas EaD
Da voz dos meus amigos pela tela
Cansada de estar longe
De tudo dar errado
Quanto mais o tempo passa
Sinto estar cada vez mais longe
Daquilo que queria ser.

Por que a vida é assim?

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Ainda sinto o cheiro...

Ainda sinto o cheiro que capturei
Dos dias fartos de amor
Um novo mundo n(ele) encontrei
Quando anoiteceu, expulsaste minha dor

De tantos os dramas que guardei
De nada serviram para mim
Nem mesmo os sonhos que sonhei
Deram identidade ao meu jardim

Até que me tocaste com delicadeza
Me olhando com todas as seduzentes intenções
Me vi como frutas silvestres sobre a mesa
E tua boca em minha pele fazendo canções

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em certeza de tudo

são tocadas as mãos
cheiradas as flores
e é vivido o centenário de um amor tão virgem que nem mesmo pelo ar frio da madrugada foi prestigiado,
só alimentado pela dúvida de uma crescente devoção
e os amantes, enfim, vivem a fantasia disto
vivem a vontade de tocar, cheirar, de ter tudo isso que os cerca na dívida da promessa
o entrelaçar dos dedos, que, de tão sagrado acompanhado do cheirar das flores se faz referência num ideal de amor futuro. amor presente.
e os amantes? amam sem nem mesmo saber
sem nem mesmo sentir transbordam-se de vontade daquilo
daquele ideário, da reverência. da rosa nas mãos a entrelaçar,
e do perfume carnal que carrega isso tudo

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Sensações

No chão do quarto
Deitado
Calado
Silêncio!
Sinto
Aquilo que acaba comigo
Medo, insegurança
Em tudo emergi desconfiança
Porém, é preciso persistir
É o que tanto costumo ouvir
Mas, é demasiadamente difícil
Quando todo dia faz-se imprescindível resistir
Resistência na desigualdade,
Na falta de liberdade
É sobre um sistema que te acorrenta,
E só o seu fracasso fomenta.
Calma, vai passar!
Ligue o som, é hora de canções.
"Eu sei que tudo vai mudar"
É um mister de sensações.
Sinto que compreender-me seja difícil
Parto da complexidade a pequenez
Sentir-me é possível
Chegara sua vez.

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idk.

borboletas no estômago
dilaceram minha mente
ironia da vida é ver mago
do feitiço que lhe atente
caindo tão fácil e logo
queima a chama ardente

o que posso fazer, esmago?
sentimentos deixam quente
como um julho em chicago
não existe nada tão potente
quanto o sorriso que trago
lembrando apenas da gente

você entrou como relâmpago
me tratou como sua amante
logo pensei que seria vago
talvez sua voz cante ecoante
mas em seu cheiro naufrago
sua beleza é muito debilitante

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Permita-se desistir.

Desisto. De novo.
Desisto da pressão exarcebada.
Desisto de tentar algo grande e de me machucar de novo.

Desisto da linha tênue entre a calma e o surto.
Desisto do sonho que tenho desde pequena.
Era apenas sonho de uma criança que não sabia a dificuldade mesmo.

Desisto das pessoas me dizendo não desista.
Desisto dos concorrentes e da figura de competição exagerada.
Desisto de estudar enquanto eles dormem.

Desisto de conselhos.
Desisto da terapia.
Desisto dessas palavras e da profundidade de cada uma delas.

Eu desisto, e tá tudo bem.

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Essa sou eu

os galhos estão secando, assim como eu
sinto-me seca a cada dia, como um bolo sem cobertura
mas quem me dera parecer com um bolo
queria ser eu
aquele pássaro que voou sobre mim hoje me disse
que a primavera estava por chegar, eu escutei silenciosamente
tudo que sei fazer é escutar
e mais nada
enquanto a noite vai escurecendo eu vou me esvaindo em meio aos lençóis
queria poder voar
sentir a brisa
cabelo ao vento
me sinto presa
queria voar, voar para longe
sinto que estou prendendo a respiração aqui
me sinto sozinha
estou me inspirando em outras histórias, outras vidas
acho que estou vendo filmes demais
não tenho mais nada a contar...

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Os homens que me perdoem...

Os homens que me perdoem,
Mas eu sou demasiado robótico

De manhã,
Acordei com pinças no lugar das mãos
Baterias na mente e no coração
Ligado no duzentos e vinte, pronto para entrar em ação

De tarde,
Ferrugem nas engrenagens, cansaço, decepção
Sonhos que não passam de miragens, exaustão

De noite,
As pilhas já não funcionam
Mas eles não comentam
Mas eles não se importam
Escola, governo, mercado
Deuses que nos fazem ver
Lazer como pecado
E o mérito, santificado

As máquinas que me perdoem,
Mas eu sou demasiado humano

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Espelho do banheiro

eu estou mergulhando nesse abismo
não sei dizer se estou pra baixo ou pra cima
mas de que importa se eles não escutam?
meu grito, meu choro
me calo por um instante
estou cansada disso
o silêncio ao meu entorno grita e internamente eu nunca me calo
enquanto a água cai junto de lágrimas
eu escuto o barulho
tento me recompor
sinto um alívio
mas logo, volto ao início.
preciso me recompor.
estou farta demais para continuar, preciso me desfazer em ondas no mar
recompor
refazer
e recomeçar...

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Vulnerabilidade

Por que sentimentos medo da exposição?
Se dentro de nós existe bravura?
Será medo da imperfeição?
Ou você é uma pessoa insegura?

Agir com vulnerabilidade
É o mesmo que agir verdadeiramente
Sentir na alma o gosto da liberdade
Pensar com coração e não só com a mente

Te convido a se expressar
Não se cobrir com o lençol de incertezas
Não se preocupar com o que vão pensar
Pôr todas as suas cartas na mesa

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